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A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) registrou uma economia de quase R$ 330 mil na aquisição de drogas de alto custo, no mês de maio, através da implantação de um novo fluxograma, no Serviço de Quimioterapia, um dos tripés do tratamento contra o câncer. A medida é fruto do esforço das equipes do próprio setor, em conjunto com o Serviço de Farmácia e Oncologia Clínica da instituição. Entre os fatores que contribuíram para a reestruturação do serviço, estão o disciplinamento e a racionalização da gestão de quimioterápicos, que resultou, ainda, no aumento da oferta de tratamento no hospital.

O melhor aproveitamento dos medicamentos otimizou o controle de estoque e fez com que os gastos saíssem de aproximadamente R$1 milhão/mês, para R$ 668 mil. Os valores incluem, basicamente, seis quimioterápicos de ponta para o tratamento de neoplasias malignas diversas, informou a enfermeira Edilene Coelho Varela, coordenadora do Serviço de Quimioterapia.

De acordo com ela, o início das mudanças no Serviço, que abrange parte significativa dos pacientes que procura tratamento especializado na FCecon, ocorreu com a revitalização da Central de Diluição de Medicamentos, através da qual, são preparadas as dosagens de cada paciente oncológico. Hoje, a diferença no atendimento é sentida desde a recepção até a alta do setor.

Pontos positivos

Outro ponto positivo foi a redução do tempo de espera do paciente, entre a chegada à unidade e a infusão de medicamentos, além de evitar o desperdício das drogas, fabricadas, na maioria das vezes, fora do Brasil. Edilene Coelho explicou que as medidas foram viabilizadas a partir da organização do fluxo do setor e da elaboração de um cronograma, que pré-determina os dias da semana em que cada medicamento será administrado.

Dessa forma, garantimos maior rotatividade dos leitos e evitamos o desgaste dos pacientes, que já estavam sensíveis e vulneráveis por conta da doença e tinham que esperar horas para receber as medicações. Passamos a oferecer um tratamento de maior qualidade aos nossos usuários do SUS, o que nos deixa realizadas, pois estamos falando de uma unidade de referência em cancerologia para toda a região”, frisou.

Outra vantagem foi a otimização do tempo de atendimento. Antes da implantação do fluxograma, parte dos pacientes ficava até 22h para receber atendimento. Atualmente, às 19h, a maioria já recebeu a medicação e está liberada para voltar para casa. O reforço da equipe também foi de extrema importância. “Temos, atualmente, uma equipe multidisciplinar que inclui farmacêuticos, enfermeiros, técnicos e estagiários, o que garante mais qualidade e segurança no tratamento e também aos profissionais que atuam no setor”, explicou a farmacêutica Bianca de Lima Ladislau, responsável pela Central de Diluição.

Além delas, participaram do processo as seguintes profissionais: enfermeiras Ellen Albuquerque de Freitas, Vera Lúcia Pereira, farmacêuticas Celina de Jesus Guimarães, Katyellen Freitas de Araújo (gestora do Serviço de Farmácia) e a oncologista clínica Brena Ferreira Uratani (gerente do Serviço de Oncologia Clínica).

Humanização

Paralelo à implantação do fluxograma, a equipe do Serviço de Quimioterapia humanizou o local, inserindo música ambiente no setor e decoração alusiva às datas comemorativas, criando um espaço mais aconchegante e familiar, e contribuindo com a reabilitação dos pacientes oncológicos através da ‘musicoterapia’. Um artigo sobre a mudança será produzido pela equipe para a exposição em eventos científicos em Manaus e em outros estados brasileiros. Trata-se do segundo caso de sucesso relacionado diretamente ao processo de ampliação da Política Nacional de Humanização (PNH) na FCecon. O primeiro foi implantação da ‘visita ampliada’ na unidade hospitalar.

Os usuários do Serviço têm aprovado o novo modelo de atendimento. “Achei muito bom, nem demorei pra ser atendida. Uma vez, cheguei a sair daqui a meia-noite, porque havia muitos pacientes. Mas, agora, com essa mudança, eu sou atendida rapidamente e não fico mais esperando por muito tempo”, destacou a paciente Gerlane Assis, 31.