A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), prevê o aumento em até 50% no número de vagas no serviço de radioterapia, a partir de 2019, com a implantação do novo acelerador linear, na unidade hospitalar. A Fundação atende cerca de 200 pacientes ao dia e a perspectiva é que sejam ofertadas mais 100 vagas.

Em 2018, a FCecon já havia registrado aumento  de 7,35% nos procedimentos. Foram 52.442 tratamentos radioterápicos, de janeiro a setembro, enquanto em 2017, no mesmo período, foram 48.850.

 

O novo acelerador linear já se encontra nas instalações da FCecon. O aparelho foi doado pelo Ministério da Saúde, por meio do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) – instituído pela Portaria GM/MS nº 931/2012.

 

O Plano de Expansão tem como objetivo ampliar o acesso ao tratamento de câncer no país, através da distribuição de 140 aceleradores lineares. A meta é que até 2019 todos os aparelhos estejam em funcionamento, atendendo 100% do público-alvo. No Amazonas, o MS investiu R$ 4,7 milhões na compra do equipamento e na implantação do bunker – estrutura de concreto construída no subsolo da unidade, para resistir à radiação, local onde o aparelho será instalado.

 

Conforme a diretora-presidente da FCecon, engenheira biomédica Ana Paula Lemes, a obra do bunker, também chamada de Casamata, está em processo de finalização e a previsão é que seja entregue após a segunda quinzena de dezembro. Ela também ressaltou que o acelerador linear irá reforçar o atendimento dos pacientes da unidade hospitalar, que é referência na região Norte, no tratamento de neoplasias. “Com o aumento do número de vagas, iremos atender os pacientes da região e também disponibilizaremos, nacionalmente, vagas através da Central Nacional de Regulação (CNRAC)”, pontuou.

 

O chefe do serviço de Radioterapia da FCecon, Leandro Baldino, explicou que o novo equipamento permitirá melhorias no atendimento ao paciente oncológico, entre eles, o ‘refinamento’ do tratamento do tumor, sem afetar os órgãos próximos da região irradiada e a diminuição no tempo de espera pelo atendimento.

 

Leandro Baldino explicou que se leva três meses entre a montagem e o funcionamento do aparelho. “O prazo é necessário para que se realize a inspeção do local de instalação e os testes do equipamento, os quais são importantes para garantir a segurança de pacientes e de funcionários. A montagem e os testes serão feitos pela fabricante. A inspeção será feita pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A previsão é que o aparelho comece a funcionar em abril de 2019”, ressaltou.
Conforme o médico especialista, o atendimento ofertado pelo serviço de radioterapia varia entre o tipo de tumor e o lugar onde está situado. Todavia, o serviço está presente no tratamento oncológico em 90% dos casos que chegam à Fundação. “O paciente vai passar pela radioterapia em algum momento do tratamento”.

 

Tecnologia – A FCecon conta com dois equipamentos para a realização de procedimentos radioterápicos, sendo um acelerador linear e um de cobalto. Baldino explicou que o acelerador linear é mais moderno e apresenta diversas vantagens, por exemplo, não gera lixo radioativo. “Em uma hora são atendidos 20 pacientes pelo acelerador linear. No equipamento de cobalto são dez. Iremos ganhar mais velocidade e precisão com o novo equipamento”, explicou.