Uma parceria entre a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e a Faculdade Estácio Amazonas viabilizará, a partir de março deste ano, a implantação, na unidade, do projeto Pedagogia Hospitalar. O projeto será desenvolvido por alunos de graduação da instituição de ensino, a convite da Secretaria Estadual de Saúde (Susam). O secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, explica que a ação faz parte de uma série de medidas em andamento na Fundação, com o objetivo de reforçar a Política Nacional de Humanização (PNH), preconizada pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o diretor-presidente da FCecon, cirurgião Marco Antônio Ricci, a iniciativa beneficiará, diretamente, pacientes pediátricos oncológicos em tratamento no hospital, hoje considerado referência no diagnóstico e tratamento do câncer. O projeto prevê a visitação de acadêmicos aos leitos para o desenvolvimento de ações musicais, de fortalecimento pedagógico envolvendo leitura de livros, jogos educativos, cursos, entre outros. Haverá, ainda, a readequação da brinquedoteca do hospital. Parceria similar já ocorre na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam).

Nos últimos anos, a FCecon ampliou o setor de pediatria, com a criação de um Serviço de Quimioterapia Pediátrico e uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) exclusiva para crianças e adolescentes que necessitam desse tipo de internação. Todos os serviços estão localizados no 9° andar da instituição, incluindo a brinquedoteca de uso exclusivo dos pacientes de enfermaria.

Segundo Marco Antônio Ricci, as mudanças foram desenvolvidas ao longo de três anos, com foco na criação de um espaço específico que privilegiasse exclusivamente pacientes pediátricos, o que exigiu investimentos em ambientação adequada e que auxiliasse na redução dos impactos negativos do tratamento. “Crianças e adolescentes quando são submetidos a tratamentos muito longos, como é o caso do oncológico, têm certa dificuldade em entender o que está ocorrendo. Isso tende a mexer com o psicológico desses pequenos, que precisam de um ambiente humanizado para conviver e o mais acolhedor possível. Esse é o objetivo do projeto, levar ânimo às crianças que estão nos leitos, com a participação dos acadêmicos indo diretamente nas enfermarias e interagindo com os pacientes”, explicou.

Humanização

Paralelo a isto, a FCecon também está criando um Grupo Condutor em Humanização, para a construção de ações próprias que otimizem o atendimento, beneficiando pacientes e profissionais. O trabalho iniciou há um ano, aproximadamente, com o auxílio das Apoiadoras da PNH no Amazonas, um grupo de profissionais de diversas áreas, que atua voluntariamente em unidades do SUS no Amazonas.

Segundo a diretora de Ensino e Pesquisa da FCecon, Kátia Luz Torres, inicialmente, o grupo participou de rodadas de conversa com profissionais de vários setores da Fundação e ajudou na formulação do questionário aplicado durante uma pesquisa de clima organizacional, que buscou levantar vários aspectos relacionados ao trabalho desenvolvido no âmbito interno da instituição. O objetivo foi traçar estratégias para integrar os serviços, facilitando a disseminação da informação e tornando o atendimento mais dinâmico no hospital.

No próximo mês, uma série de oficinas internas estão programadas, envolvendo gestores e demais profissionais da unidade. “Esperamos a adesão da maior parte do nosso quadro profissional. Todos estão convidados, incluindo servidores e terceirizados”, destacou. De acordo com ela, estão entre as diretrizes da PNH investimentos em ambientação, oficinas e medidas que privilegiem usuários e profissionais do SUS, tendo como um dos focos o bem-estar de ambos os públicos.

Ampliação

Outro projeto que deve ser ampliado na instituição é o Deus Davi, uma parceria entre FCecon e a ONG Rede Feminina de Combate ao Câncer. O trabalho resume-se em visitação aos leitos por um grupo de voluntários, composto também por acadêmicos, que leva alegria aos pacientes internados nas enfermarias, sejam eles adultos ou crianças.

“Os voluntários se caracterizam de palhaços e outros personagens e vão às enfermarias com violões para apresentarem-se aos pacientes. Em contrapartida, membros da ONG distribuem kits de higiene e brindes, em especial em datas pontuais. As visitas ocorrem algumas vezes ao mês e nossa ideia é que esse trabalho seja expandido para todo o hospital, como parte das ações voltadas à humanização”, concluiu.