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FCecon realiza cirurgias de mama para diminuir tempo de espera de pacientes
abr 15@11:17 – 12:17

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), irá realizar, de forma excepcional, neste sábado (13/4), quatro cirurgias de mastectomia – retirada total da mama –, com o objetivo de diminuir o tempo de espera das mulheres que já passaram pelo serviço de quimioterapia.

As cirurgias fazem parte do plano de ação da nova gestão para diminuir o tempo de espera por procedimentos cirúrgicos e de atendimentos clínicos na unidade referência na região Norte no tratamento de câncer. As ações têm acontecido sempre aos sábados, para aproveitar ao máximo a capacidade do hospital e do corpo de médicos.

O diretor-presidente da FCecon, o mastologista Gerson Mourão, estará à frente das cirurgias, sendo auxiliado por uma equipe de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Ele explicou que a Fundação tem promovido várias iniciativas para melhorar o atendimento e a qualidade de vida do paciente, alinhada à Política Nacional de Humanização (PNH) preconizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quanto mais rápido o paciente for atendido, passar pelo serviço de quimioterapia e cirurgia, por exemplo, mais rápido será o processo de recuperação e cura. Assim, será possível oferecer condições para que essa mulher seja inserida novamente ao convívio social”, disse Gerson Mourão.

Prioridade – A chefe do serviço de Mastologia da FCecon, Hilka Espírito Santo, explicou que há um ciclo/protocolo para o tratamento quimioterápico – considerado neoadjuvante, ou seja, é feito antes da cirurgia para que ocorra a diminuição do tumor e evitar que ele cresça.

“O protocolo estabelecido é de quatro a seis meses, dependendo do quadro clínico da paciente. Durante esse período, o quimioterápico atua nas células cancerígenas para, assim, proporcionar uma margem cirúrgica para a retirada do tecido afetado. Ao final desse prazo, o médico mastologista não pode exceder o período máximo de 60 dias para realizar a cirurgia”, explicou.

Caso o médico perca o ‘timing’, de acordo com a médica especialista, o tumor volta a crescer e a cirurgia não pode mais ser realizada dentro dos critérios e margens de segurança da cirurgia oncológica.

Avanços – Gerson Mourão lembrou que nestes primeiros 100 dias, a Fundação implantou o projeto da ‘Enfermeira Navegadora’, que agiliza o atendimento de pacientes; realizou os mutirões contra o câncer colorretal – acomete o intestino grosso e reto –, e o de conizações – para a retirada das lesões precursoras de câncer de colo uterino, causadas pelo HPV.

“As cirurgias de mama fazem parte desse processo de mudança que está ocorrendo dentro da Fundação, focada na melhoria da qualidade de vida do paciente. Realizamos mais de 80 procedimentos durante os mutirões e virão outros. Significa que estamos trabalhando para diminuir o tempo de atendimento e as filas”, frisou.

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Mais de 400 pacientes do interior do Amazonas são atendidos pela FCecon em 2019
jan 3@16:38 – 17:38

20180227020228952d09d7e3ceecf07ade6a3e60b99a52bd8ad116Natural de Lábrea (distante 852 quilômetros da capital), Maria Dilma Carlos Moreira, de 56 anos, faz tratamento na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) desde junho de 2018 contra um câncer de mama, que é o terceiro mais incidente no estado. Maria Dilma é um dos 421 pacientes do interior do Amazonas atendidos pela unidade hospitalar de janeiro a dezembro de 2019, conforme dados disponibilizados pelo Serviço de Atendimento Médico Estatístico (Same/FCecon).

O relatório apresenta o número de prontuários abertos segundo a origem do paciente, informado na primeira consulta ambulatorial. Os cinco municípios com maior demanda por atendimento são Itacoatiara (56), Manacapuru (48), Iranduba (34), Parintins (34) e Manicoré (27). A capital concentra a maior demanda e atendimentos (4.828).

Segundo a responsável pelo Same/FCecon, Zenóbia Almeida Filha, a relação é elaborada com base no comprovante de residência do paciente. Ela afirma que a quantidade de pacientes do interior em tratamento pode ser bem maior, haja vista que, no momento da abertura do prontuário, muitos têm receio em apresentar o comprovante de onde realmente residem, o que não deveria ser uma preocupação, pois a unidade não faz distinção entre pacientes.

O registro do fluxo de referência intermunicipal de pacientes que necessitam e são atendidos na assistência de alta complexidade em Oncologia na FCecon disponibiliza informações para respaldar outras ações em saúde que permitam dirimir as dificuldades de acesso de determinadas populações menos privilegiadas, como apoio para permanecer na capital, serviço ofertado por instituições parceiras da Fcecon. De acordo com Zenóbia, o registro também é uma importante ferramenta de gestão hospitalar quanto aos indicadores epidemiológicos.

“Os motivos para tais atitudes dos pacientes (não informar endereço) são os mais diversos, por exemplo, medo de não ser atendido. Outros apresentam o comprovante de residência de parentes que moram em Manaus. Todavia, é importante que o paciente fale a verdade na hora da abertura do prontuário, uma vez que a informação servirá para a elaboração de ações de prevenção e controle no interior do estado”, alertou a responsável pelo Same/FCecon.

Assistência social – De acordo com a assistente social da FCecon, Maria Célia Viana Cidrônio, a identificação correta do paciente do interior é importante. Segundo ela, a Fundação trabalha em parceria com organizações não governamentais (ONGs) que dão apoio a essas pessoas, como, por exemplo, a Liga Amazonense Contra o Câncer (LACC), a Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC-AM) e o Lar das Marias, além das representações dos municípios na capital.

“Os assistentes sociais da Fundação fazem uma avaliação do perfil socioeconômico do paciente, no qual são averiguadas as necessidades dele. Quando carente (de recursos), em tratamento de Radioterapia e Quimioterapia, ele recebe orientações e encaminhamentos para o apoio das ONGs, que doam cestas básicas, algumas medicações, muletas, kits de higiene, passagem de retorno ao município e por aí vai”, pontuou Célia Viana.

Lar das Marias (1)Hospedagem – No caso de pacientes homens que não têm onde residir durante o tratamento, Célia Viana informou que eles recebem das ONGs auxílio-aluguel no valor de R$ 300. Já as mulheres são encaminhadas ao Lar das Marias.

Acolhimento – É o caso de Maria Dilma, que mora no Lar das Marias desde o mês de agosto de 2018. Ela disse que para quem mora no interior é mais difícil realizar o tratamento na capital. “Tive que abandonar marido, filhos e netos. O custo para se manter também é muito alto, por exemplo, com aluguel, alimentação, transporte. O Lar das Marias foi uma bênção! Não gasto com nada. Tudo nos é fornecido gratuitamente e, assim, não tem como desistir”, afirmou.

Maria Dilma confessou que sempre coloca em suas orações os nomes dos médicos, pacientes e enfermeiros da unidade hospitalar, desejando saúde para que ajudem quem precisa. Agora, segundo ela, sua vontade é voltar para casa, mas não pode, uma vez que está em sua nona sessão de Radioterapia.

Lar das Marias – A assistente social do Lar das Marias, Glaucia Maria Oliveira de Souza, destacou que a parceria com a FCecon existe há 13 anos. Ela explicou que o encaminhamento ao Lar é feito pelo Serviço Social da unidade hospitalar, além de receber também mulheres por demanda espontânea.

“Para ser aceita, a mulher não pode ter família em Manaus, não estar em condições financeiras para se manter, ter um acompanhante do sexo feminino – não pode ser menor de idade nem idoso. Essa mulher vai contar com abrigo gratuitamente, seis refeições diárias, atendimento psicossocial e nutricional, condução para realização do tratamento, atividades artesanais, cursos profissionalizantes, oficinas gastronômicas, kit de higiene pessoal e de limpeza”, frisou Souza.

De acordo com a assistente social, a mulher permanece no Lar das Marias por, aproximadamente, um ano e meio. Atualmente, o abrigo conta com 25 mulheres hospedadas, por conta do período de festas de fim de ano. Mas tem capacidade para 50 mulheres com suas acompanhantes.

 

Texto: Luís Mansueto/FCecon

Fotos: Hygson Matos/Estagiário FCecon e Divulgação/FCecon